Francois Boucher's Fountain Love (1748)
Cotidiano, Crônica, Filosofando, Pessoal

O que eu preciso!

E eu preciso de cuidado. Admiração. Mimo. Atenção. Alguém que não precise me diminuir para caber em mim. Alguém que me ache bonita. Que tenha orgulho de mim. Que queira ler meus textos e saber o que eu estou sentindo e pensando. Que queira conversar, sobre tudo e sobre nada. Divagar. Passear de mãos dadas, beijar minha mão. Massagear meus pés e fazer amor comigo.

Alguém que me olhe de canto de olho enquanto eu faço qualquer coisa porque me acha interessante sempre. Alguém que se interessa pela minha vida, que queira estar comigo quando estou com a minha família. Que faça parte da minha família. Que some. Que de opinião. Que conte tudo que aconteceu quando fez qualquer coisa longe de mim, qualquer fofoca, qualquer acontecimento, qualquer história, porque eu me interesso pelo que você está vivendo por aí afora. Que queira passear de carro só para ficar pertinho e pode pegar na minha mão. Que queria rir comigo. Chorar comigo. Dormir com um beijo e acordar com um abraço. Que faça questão. Que demostre satisfação. Que demostre que se importa. Que queria me ouvir quando eu tenho algo engraçado, trágico ou que eu só precise reclamar por algum tempo. Que me faça perguntas. Que me dê respostas. Que me toque, muito e sempre. Que saiba que na minha brabeza mora uma carência. Que pode ser sanada com abraço, beijo e palavras de carinho.

Que se sinta em casa na minha casa. Mesmo que a minha casa esteja cheia de convidados. Que se integre. Que se espalhe. Que tenha certeza de seu lugar. Que tome seu lugar. Que exista.

Que me dê palavras. Que fale. O que sente. Como se sente. O que passa na sua cabeça. Que não tenha medo de si mesmo. Que na ausência de palavras, haja! Que demostre. Que se expresse, de algum jeito. Se mostre. Apareça.

Alguém que queira melhorar a minha vida. Que queira me fazer feliz. Que queira me fazer rir. Me fazer me sentir importante. Indispensável. Linda. Querida. Amada.
Alguém que queira melhorar a própria vida e a própria existência para ser melhor para mim. Alguém que queira aprender. Que queira entender. Que queira evoluir. Que esteja em movimento. Que tenha coragem. De fazer, de dizer, de sentir, de demostrar.

Eu preciso do simples, do trivial. Do dia a dia básico, mas vivido com intensidade. Onde o que se sente, se expressa, o que se pensa, se fala. O que tem vontade, deve ser feito. Onde não exista amarras do ser e sentir. Onde o respeito é acima de qualquer c0isa, mas o ser e estar, é livre.

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Setembro Amarelo

Bom, depois de dois textos sobre como eu estava com depressão, vai o texto de hoje, depois do tratamento.

Depois daquela carta escrita para meu psiquiatra, ele entendeu que eu estava em mania, um dos sintomas da Bipolaridade. Isso porque eu tinha feito uma carta com umas 8 páginas explicando detalhadamente como me sentia em cada momento do tratamento. Assim, consegui criar não apenas uma carta, mas um verdadeiro dossiê do meu tratamento. Minha precisão e meticulosidade levaram o médico a interpretar que eu estava em um episódio maníaco. Para contextualizar, a mania é uma fase da bipolaridade caracterizada por euforia, ansiedade e inquietação. Meu médico acreditou que a carta havia sido escrita em um desses momentos. Ao receber esse feedback, percebi que não poderia mais confiar nele. Eu escrevia este texto me sentindo arrastada, desanimada, com apenas um fio de vida que se recusava a me deixar, dando-me uma força para continuar.

Por isso mudei de psiquiatra. Uma consulta online com uma médica de Blumenau, que me ouviu e confiou em mim, e me passou um tratamento para depressão Unipolar, mudou minha vida a partir dali. Já na segunda semana eu começava a sair do casulo que tinha me posto. O ar já entrava nos meus pulmões com mais força e saia com mais vontade. Meus olhos começavam a entrar em orbita e eu estava me aprontando para mudar a minha vida.

Mas, como vocês sabem, a depressão não é um tiro que te pega de surpresa no meio do seu dia. A depressão é uma picada de inseto venenoso, que começa com um vermelhinho na pele, depois começa a coçar, depois começa a arder. Você tenta ignorar a cosseira, usa gelo para amenizar, tenta pensar em outra coisa. Usa pomadas que você tem em casa, mas a ferida vai aumentando, a infecção vai se alastrando, isso tudo muito lentamente. Você passa a conviver com a dor, achando que é normal. Achando que é uma fase, que o seu corpo e suas orações serão capazes de curar. Mas isso não acontece. Assim como uma picada de inseto venenoso precisa de um tratamento adequado para curar, a depressão também precisa.

O tratamento me fez voltar a vida, tomei as decisões que me eram cabíveis mudar o quadro que tinha me colocado em depressão. Hoje faz um ano e meio que iniciei o tratamento e estou no processo de desmame do remédio, pois já me sinto segura para seguir minha vida sem a medicação. Mas, sem o tratamento para a depressão, com certeza que não teria vida dentro de mim para buscar as mudanças que eu tanto precisava.

Eu não desisti! Não desista também! Procure um profissional e não desista até se sentir melhor!

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Eu preciso existir*

Eu preciso sentir, eu preciso viver. Seja o que for, o que tiver que ser. O amor, a raiva, o desejo, o pânico, a alegria. Preciso dar risada e preciso chorar. Eu preciso me sentir viva. Eu não sou uma velha de 80 anos arrastando a chinela dentro de casa. Vai chover hoje, fecha a janela. Deu sol hoje, fecha a cortina.

Preciso de energia para jogar poker com amigos nos dias de chuva e ir para praia com a família nos dias de sol. Não posso viver na letargia de uma vida sem pulsação de vida. Onde nada me perturba. Eu quero perturbação. Quero cair na gargalhada. E quero chorar de tanto rir. E chorar de tanta dor. Eu quero sentir dor. Quero sentir prazer. Quero berrar de prazer. Quero berrar de alegria.

Eu quero a intensidade para os meus dias. Quero o descanso para as minhas noites. Quero a alimentação para a minha saúde. Exercício físico para minha disposição. Leituras para meu cérebro e escritas para o meu ego. Quero tudo e quero agora. Não por desespero. Não por exagero. Mas porque eu mereço. Porque eu mereço ser feliz. Porque eu mereço a vibração da vida. Porque eu mereço vibrar com toda energia que me cerca. Não posso mais viver alheia a ela. Eu quero me conectar. Me reconectar. Eu preciso existir.

Eu preciso me tornar quem eu sou. Eu preciso descobrir quem eu sou. Eu quero ser quem eu sou. Eu quero amar quem eu sou. Eu quero corrigir quem eu sou.

Eu quero ser. Eu quero existir. Eu quero fazer diferença. Eu quero ser a diferença. Eu quero fazer diferente. Eu quero diferenciar. Eu quero diversificar. Eu não quero ficar inerte. Eu quero inerência com meu ser. Com meu estar. Comigo mesma.

*Obs.: Esse texto foi escrito em 2022, quando estava com depressão. Resolvi postar pelo Setembro Amarelo. Eu não desisti!

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Porque eu escrevo…

Eu escrevo para transformar em palavras meus pensamentos. Mas tem sido difícil fazer isso. Encontrar no dicionário o que possa descrever tudo que passa na minha cabeça. Também procuro palavras para aliviar meu coração, e isso também é igualmente difícil de achar.

Procuro as palavras que me tirem da solidão de um dia sem amigos. Um dia que me culpo por me excluir da vida social e ficar apenas me guardando para mim mesma, com medo de me perder, seja em palavras, seja em ações.

Escrevo porque quero contar o que eu sinto quando estou em meio a natureza, cores e vida pulsante. Descrever como me sinto ao estar no meu lugar favorito no mundo, sentada num gramado verde, observando as árvores se balançarem ao sabor do vento, os pássaros voarem soltos e as borboletas desfilarem alegres bem na minha frente. Escrevo para tentar transmitir em palavras o som da água corrente batendo nas pedras e levando pequenos fragmentos de vida água abaixo.

Escrevo para tentar compreender meus sonhos. Numa tentativa voraz de colocar em palavras o que parece a coisa mais sem coerência do mundo. Onde o tempo passa diferente e não existe linha do cronológica. As coisas mudam de lugar sem eu perceber e as pessoas se transformam em animais bem na minha frente. Onde eu falo com cachorros ao mesmo tempo que estou numa montanha russa quebrada e que não sei quando vai chegar o momento que os trilhos não vão mais existir e o que vai acontecer comigo a partir disso. Eu escrevo para tentar entender por que minha mente faz isso comigo.

Eu escrevo para dizer às pessoas o quanto eu as amo e como elas são importantes para mim. Eu escrevo até mesmo para quem não pode ler ainda, quem não pode ler mais ou pra quem nunca vou enviar o texto. Mas escrevo mesmo assim, porque quero entender cada sensação minha ao pensar, lembrar ou sentir as pessoas.  

Eu escrevo porque eu preciso achar as palavras certas, embora saiba de antemão que elas não existam. Nossa mente é complexa demais em cada instância dela para ser decodificada num alfabeto feito por qualquer homem que já existiu. Mesmo assim vou continuar escrevendo, porque é o único jeito que encontro de visualizar minha mente,  meus pensamentos e sensações e desacelerar um pouco as batidas do meu coração.

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Stranger Things: mundo paralelo ou depressão?

(contém spoilers)

A série Stranger Things, sucesso absoluto da Netflix, faz levantar várias teorias sobre a trama. Para quem não assistiu, trata-se de um Laboratório secreto do governo que utilizava crianças para fazer experimentos de telepatia e telecinese. Essas crianças especiais são estudadas, de maneira antiética, pelo governo dos Estados Unidos. Mas, tudo dá errado, e a personagem principal, Eleven, abre o portal para mundo invertido/paralelo, que é um lugar igual ao mundo real só que macabro, escuro, céu sempre nublado e com raios vermelhos. E o local abriga criaturas monstruosas.

E é a partir daqui que minha teoria começa. Para mim essa série trata sobre a depressão. Ela é ambientada nos anos 80, quando a doença ainda não era bem difundida e poucas pessoas se tratavam. O mundo invertido é como as pessoas em estados depressivos veem o mundo. Ele está ali, as coisas estão acontecendo, mas o depressivo só consegue ver desgraça, passado, ansiedade e medo.

Por exemplo, na primeira temporada, Will, que era uma criança tímida, introspectiva e com sérios problemas de relacionamento, se perde no universo paralelo, a versão sombria de sua realidade. O lado obscuro de sua própria casa, mas sem família e sem amigos. Em outro momento, Nancy abre sua agenda no mundo invertido e vê que a última publicação é datada de alguns anos antes, sou seja, está no passado, onde os depressivos se enxergam.

Eleven (número 11) é a protagonista e a personagem boa da história, e foi ela que abriu o portal para o mundo invertido, lado ruim.  O mundo invertido abriga muitos monstros que eram combatidos por Eleven e seus amigos. Na quarta temporada, sabe-se que tudo do mundo invertido é orquestrado pelo antagonista Vecna, número 1, que era colega da Eleven no laboratório.

Número 1 e número 11 são parte da mesma essência, como yin e yang, bem e mal, dois polos, um positivo e outro negativo de energia igual, sendo o princípio da dualidade, onde um não vive sem o outro.

Nosso lado bom tenta, com todas as forças, nos tirar da depressão com pensamentos positivos, amor, oração ou qualquer outro tipo de subterfugio que temos para tentar sair desse estado letárgico e irritadiço. Nosso lado mal, nossa da ansiedade, estresse, pessimismo, não se cansa de tentar nos deixar ali, trazendo pensamentos ruins e lembranças amargas.

Vecna é o personagem mau, que recebia o número 1 no laboratório. Aos poucos, ele  entra na mente das pessoas e se aproveita da fragilidade das suas emoções e as faz reviver situações do seu passado, o que causa pensamento acelerado e ansiedade. Vecna se alimenta da culpa e do desespero de suas vitimas para ganhar força. Não deixa a pessoa em paz, elas não conseguem fugir de pensamentos tristes que a atormentam. Nosso lado mau, que não nos deixa em paz, que distorce pensamentos, lembranças e a realidade.

Exemplo da Max que tem problema com o irmão e que, em depressão, acha que desejou sua morte. Quando ela entra no mundo invertido, ela acredita ter desejado o fim precoce dele. E quando ela está tentando fugir do Vecna, correr dele, ela abre portas que dão em paredes, abre porta que dão em outras portas que estão chaveadas ou abre uma porta onde ela vê seu irmão louco de raiva, por ela ter desejado a sua morte, exatamente a imagem que ela fantasiava em sua mente.

As pessoas acometidas pela depressão tentam sair dela sozinhas, sem ajuda especializada, e elas dão de cara com várias portas fechadas. Afinal, a depressão é uma doença e muitas vezes é tratada apenas como um estado de espírito “que com muita força de vontade ela consegue sair”. Nosso bem e mal brigando por espaço dentro de nossa mente. Mas não funciona assim.

Nos anos 80 essa doença era negligenciada a ponto de ser tratada como apenas um surto curável com eletrochoques e outros métodos desumanos. Nesse mesmo ano, por exemplo, pessoas em estado psíquico alterado eram exorcizadas por padres católicos em vários países do mundo, porque acreditava-se que o demônio tomava conta do seu corpo. Na série isso é representado por Vecna, que entra na mente das suas vítimas.

Então nós temos a Eleven (11) tentando nos salvar o mundo das trevas do universo paralelo e temos o Vecna (1), que faz uma força descomunal para nos manter naquele lugar cheio de distorção das próprias lembranças. Ou seja, nosso equilíbrio, nosso bem e mal, nosso yin yang. Eles fazem parte da mesma força, mas só que oposta e que se chocam e lutam para tentar vencer a batalha.

E não tem fim, nunca acaba. Stranger Things já está em sua quarta temporada e ninguém conseguiu exterminar o monstro. Várias batalhas já foram travadas, mas ele sempre ressurge. Isso é nossa força descomunal para vencer nossa depressão versus as forças das trevas, nosso lado sombrio, nos puxando de volta para o mundo invertido, que sempre estará ali, mas que ninguém quer voltar!

Finalizo a minha teoria afirmando que, para mim, Eleven e Vecna são a mesma pessoa, numa luta mordaz para vencer a psique doente. Eleven recebe ajuda de seus amigos bons para isso e Vecna de seus monstros. E essa luta parece não ter fim. A única coisa que eu sinto é cada vez mais vontade de saber como essa história vai se desenrolar. Que venham as próximas temporadas.

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Pessoas que melhoram e que pioram nosso dia, qual você quer ser?

Tem gente na vida da gente que faz a gente mais gente! hehehe. Desculpa essa primeira frase, mas, às vezes, o trocadilho é mais forte que eu! E bem assim, sem ponto e sem vírgula!

Mas, voltando ao tema, também encontramos muitas pessoas que nos desanimam. Que fazem a gente duvidar da gente!

Semana passada passei por essas duas situações de forma muito brutal, tanto a que me jogou no chão, quando a que me fez ver estrelas em plena luz do dia! (e não teve nada de sexual, ok!)

Com isso veio a reflexão sobre os pequenos gestos de gentileza que são capazes de nos tirar de verdadeiros buracos e nos colocam nos prumos de novo!

Uma vez eu li em algum lugar que toda vez que você pensar numa coisa boa sobre alguém, diga a ela, que talvez seja essa a diferença na vida daquela pessoa naquele dia. No mesmo texto não dizia que não poderíamos fazer críticas, mas isso eu aprendi (eu acho que aprendi) com a convivência diária com uma pessoa que só observa o lado ruim de tudo! E por passar por esse sofrimento muito tempo, eu aprendi a não fazer isso!

“Que cabelo lindo!”, “Nossa, que linda sua blusa!”, “Amei sua publicação no Instagram!”, “Você me surpreende cada dia nessa sua função de mãe!”, “Como você é gentil! Você é tão atenciosa e eu te agradeço muito por me ouvir!”, “Parabéns pelo carro novo, você merece!”, “Como seus olhos estão brilhantes hoje!” E assim por diante… São infinitas as formas de ver o lado bom de uma pessoa!

Me digam, quem não gosta de ouvir essas simples observações? Que diferença faz isso no nosso dia a dia? Para uma pessoa que foi observada e elogiada, é muito mais fácil para ela fazer isso com a próxima pessoa que encontrar. Vira uma corrente de gentileza e um olhar pro outro, um ver o outro, que faz toda diferença! Nossa rotina já está tão cheia de compromissos, deveres, cobranças, que pequenos gestos como esses, mudam a forma que estamos vendo nosso dia!

Eu sei que você pensa em coisas boas para dizer as pessoas que você encontra, mas da próxima vez, diga! As primeiras vezes que você fizer isso vai sair estranho, “um elogio fora de época, não é aniversário, não é data comemorativa e eu to aqui tecendo elogios, que doida!” Na segunda fica mais fácil e na terceira vez já saiu natural!

Eu postei uma frase no meu Instagram que tem tudo a ver com isso: Todo mundo tem algo bonito pra falar pra você, só estão esperando você morrer pra postar! (Autor Desconhecido).

Por isso eu sugiro que a gente comece já! Você vai notas que seu dia vai ficar melhor também! Quem topa?

Deixe nos comentários se você já faz isso e como você se sente!

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Falsa intimidade das redes sociais

Sinto que no mundo atual, altamente tecnológico, onde baseamos nossas relações íntimas com as pessoas pelos contatos que temos via redes sociais, está nos afastado cada vez mais da verdadeira intimidade. Daquela real, daquela que fala o que realmente sente e que se faz ouvir.

Quantos amigos íntimos temos no Instagram e Facebook? Eu, por exemplo, encontrei uma amiga final de semana e parecia que a tinha visto ontem. Nos falamos quase toda semana, eu acompanho sua vida pelos stories, interajo com eles e conversamos quase que semanalmente. Conversando, descobrimos que não nos víamos há mais de um ano! A rede social nos aproxima da vida cotidiana das pessoas, nos diz o que elas estão fazendo, o que estão comendo, o que estão estudando, onde estão frequentando, e com quem, e o que bebem nesse momento. Mostram seus filhos crescendo e seus lutos pelas pessoas que perderam.

Mas o que elas sentem? Isso não fica claro pra ninguém. O que elas sentem de verdade. A foto que ela postou com o marido mostra a felicidade estampada nos seus olhos, as fotos dos filhos, que a maternidade ela está tirando de letra e nossa, quantos amigos novos ela fez. E baseados em postagens, memes, vídeos e stories vamos construindo a vida dos nossos amigos através dos nossos celulares, nos sentimos íntimos deles e sem fazermos ideia do que eles estão vivendo na realidade!

Com isso, nossa capacidade de ser íntimo pessoalmente esta se perdendo! “Pessoalmente não to tão feliz com meu marido, como você viu semana passada nos meus posts”, “Pessoalmente eu to esgotada, trabalhando muito e sem vontade de fazer quase nada”. Mas não se diz mais isso, mesmo que pessoalmente. Uma pessoa atenta nota, percebe que as coisas não vão tão bem como naquela foto de pôr do sol do dia anterior. Algumas pessoas, mais sinceras, dizem as frases acima, mas, a grande maioria está vivendo o faz de conta criado por ela mesmas nas redes, e “não deixe de curtir minhas postagens, tá?!”.

Tem muitas verdades ou ideias que não podem ser ditas num comentário de uma foto, porque ele soa, por vezes, agressiva ou sem empatia, mas que dito no olho a olho, faz-se entender sem magoar ou ofender. E como esse contato está cada vez mais raro, estamos também engessando nossa capacidade de sermos sinceros mesmo pessoalmente.

Não costumo postar minha rotina, meus jantares, minhas festas e minhas intimidades nas redes sociais, faço isso esporadicamente. Será que eu deixei de existir para muitos amigos? Quem não é visto, não é lembrado! Será? Se eu não existo na mídia, eu não existo no mundo?

Tenho o costume de me cansar e sair de grupos de WhatsApp, mas deixo claro que estarei no privado quando quiserem conversar, mas, sinto que deixei de existir, porque tem uma mágoa pessoal da saída do grupo que é maior do que se não comparecer num jantar, por exemplo, sem nem mesmo dar uma explicação. Esses atos são perdoados, mas o Ana Saiu, não! Será que a presença, muitas vezes falsas atrás de teclados e emojis, virou nossa referência de relacionamento?

Estou fazendo a campanha pela intimidade em forma de encontro, porque somente a honestidade dos relacionamentos presenciais geram a intimidade que nós precisamos enquanto seres humanos. Vamos beber junto, rir, chorar, se abraçar, brigar e fazer as pazes. O mundo perfeito das redes sociais não nos sustenta, não nos nutre, não nos fortalece. Ele nos frustra e acaba nos afastando cada vez mais do verdadeiro sentido da vida, o encontro e o aprendizado que temos com ele!

E a pergunta que fica no final desta reflexão é: Quanta vulnerabilidade somos capazes de suporta pra conseguir manter as relações interpessoais ao vivo e a cores? Deixe sua resposta nos comentários!

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Ócio criativo ou ócio destrutivo?

Qual ócio você prática? Hahahaha. Eu confesso que sou uma praticante assídua das duas formas de ócio, criativo e destrutivo. Eu queria? Não, queria só viver o ócio criativo, mas é incontrolável pra mim a forma destrutiva de viver.

Tem semanas que prático o ócio criativo, invento moda, invento histórias, crio, faço Instagrans, faço planos, vendo, compro, anúncio, escrevo, ganho dinheiro e gasto tudo.

Daí passa um tempo e eu começo a praticar o ócio destrutivo. Desfaço os Instagrans que criei, apago os posts, me calo, me encho de desconfianças e me guardo pra mim. Cozinho mágoas, sirvo ressentimentos e fico cheia de rancor.

Desconfio das minhas relações interpessoais, não acredito na humanidade e não quero viver fora da minha bolha imaginária de proteção. A energia negativa me alcança e a positiva não consegue combater o mal.

Quando Domenico de Massi inventou o conceito do Ócio Criativo, ele falava de um tempo sem trabalho e sem estudos para dar equilíbrio e assim intensificar a criatividade. Ele não falou sobre se esse momento for tão grande que te dê o desequilíbrio e te faça destrutivo.

Por tanto, meu conselho leigo é: tenha ócio até quando ele seja criativo, quando ele passar a ser destrutivo, arrume alguma coisa útil pra fazer! Qualquer coisa, porque como dizia minha avó, bem antes do De Massi, mente vazia é oficina do diabo! Hahahahaha

Nem tão pouco tempo que você não consiga criar e nem tanto tempo que você destrua aquilo que fez e construiu! Ok. Ficamos assim! Beijos

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Abrace a sua morte!

Você tem medo de morrer? Por que você tem medo de morrer? O que te faz querer estar vivo? O que você não quer perder? O que não quer abandonar? O que você precisa viver ainda? Ou é medo da morte? Ou é medo de não viver mais? Mas o que você quer viver?

O medo de morrer assombrou a população mundial com a pandemia. O medo de perder as nossas pessoas também nos assombrou. E isso nos fez refletir sobre nossa existência, sobre a vida e sobre a morte.

Eu existo pra que? Eu, Ana Lúcia, existo pra amar as minhas pessoas, para conhecer gente nova, pra realizar meus sonhos e pra aprender. E quanto tempo eu passo procrastinando meus estudos, brigando com quem deveria estar dando amor, sem paciência pra conhecer gente nova e achando desculpas pra não realizar meus sonhos?

Se a morte chegasse agora, o que está faltando eu fazer? O que eu já fiz? Por que eu devo partir e por que eu devo ficar mais tempo aqui?

Eu posso partir porque me melhorei muito como pessoa, transmiti coisas lindas para as pessoas ao meu redor, porque fiz dois filhos maravilhosos pro mundo. Mas, eu devo ficar porque tenho muito mais o que aprender, lugares pra conhecer, um livro pra escrever e algumas histórias por contar.

Aí eu pego a morte e coloco numa caixinha, como se eu pudesse manipulá-la, como se eu fosse capaz de escolher o momento de tirá-la de lá e fazê-la existir. Momento que eu pararia de ser, como se fosse uma escolha minha. Quando, na verdade, deveríamos colocar a morte na estante da sala, onde a veríamos o tempo todo. Cada vez que chegássemos em casa, cada vez que fossemos atender a porta, cada vez que levantássemos pra pegar um copo de água. A morte deveria estar escrita na nossa testa. Deveria estar grudada no nosso relógio, para cada vez que fossemos ver as horas olhássemos pra ela.

Só a morte nos dá a noção mais clara da vida. Mas a gente prefere escondê-la e passar a vida ensaiando viver, planejando viver, quando deveríamos viver de verdade cada segundo nosso, que contássemos cada segundo de vida. No relógio com a morte, a vida tem outro sabor. Estampe a sua morte na sua vida, pegue a sua vida e viva todo dia.

Aceite o que a pandemia te deu de presente, acredite que você é super morrivel, abrace e beije essa noção de finitude e aproveite mais seus segundos de vida. Porque a vida é esse exato momento.

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A infelicidade é a força motriz?

Um dia você acorda bem, acorda plena, feliz por nada. Tudo parece bem e parece acertado. Não precisa de grandes eventos, não precisa de grandes presenças, não precisa de quase nada pra ter uma sensação boa.

O sorriso sai frouxo, os abraços são sempre quentinhos, o tempo está sempre bom, os convites parecem perfeitos, as pessoas parecem leves e a energia do mundo te chega como uma brisa suave e gostosa.

Mas esses dias passam.

E de repente você se vê acordando cansado, o corpo dolorido, os compromissos são só compromissos que você tem que cumprir. Os abraços parecem apertados ou frouxos demais, você não vê sorrisos, não vê o sol e não sente o calor da vida.

E tudo parece pesado, triste, chato e impossível de viver.

Mas esses dias também passam…

O que é o mundo, a vida se não o que pensamos dela? O que sentimos dela? A vida existe mesmo ou só existe um indivíduo que a aprecia conforme seu estado de espírito? A vida é um estado de espírito? As relações são somente isso, como eu me sinto em relação a ela?

Será que existiria uma vida boa se não tivéssemos esses momentos que pensamos que tudo é ruim? O segredo da vida será esse alto e baixo do nosso estado de espírito? Um dia somente pensamos e achamos tudo ruim e no outro não pensamos, somente agimos, e está tudo ótimo?

Quando está tudo tão penoso é nosso momento de pausa pra vivermos logo a frente um momento feliz? E se esse primeiro momento não existisse, não existiria o segundo?

Se fossemos felizes o tempo todo construiríamos alguma coisa na nossa vida ou apenas ficaríamos inertes sentindo a felicidade?

A infelicidade é a máquina propulsora do mundo? Talvez…

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